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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ROSINHA DE VALENÇA - 70 ANOS


 Em 30 de julho de 2011,Rosinha  completaria 70 anos,se ainda estivesse entre nós.
                          O texto que se segue,do jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), foi escrito em 14 de novembro de 1964.Sérgio Porto narra o momento exato,em 1963, em que batizou " MARIA ROSA CANELLAS" como "ROSINHA DE VALENÇA", criando a famosa frase:"ELA TOCA POR UMA CIDADE INTEIRA".

 TEXTO  DE  STANISLAW  PONTE   PRETA:
                                                        (Jornal  Última  Hora/Revista  14/11/1964)

                                Eu estava em casa,ouvindo meu Chopinzinho,quando um amigo telefonou,explicando que chegara uma mocinha de Marques de Valença,no Estado do Rio.Vinha recomendada a ele e-diziam-sabia tocar violão muito bem.
-         E daí? – perguntei.
-         Daí eu queria que você fosse com ela no “Au Bom Gourmet” e pedisse que ela tocasse um pouquinho.
O pedido era razoável em relação ao local.O “Au Bom Gourmet”,na época,era o “night club” onde se apresentavam os “cobras” do samba moderno.Se Rosinha fosse aprovada pela platéia e pelos artistas da casa,é porque era boa boa mesmo.
-         Escuta velhinho – eu fui dizendo – Mas se a menina for só de arranhar viola,com que cara eu fico?
-         Não – esclareceu o amigo: - O Menescal já ouviu ela tocando um pouquinho e achou que é excelente.
                                Bem,se o Menescal ouviu um pouquinho e gostou bastante,talvez a moça fosse mesmo boa  de violão.
                                 Naquela noite fui apresentado à moça magrinha e tímida e rumei com ela para “Au Bom Gourmet”.Quando a sala já estava cheia de gente,pedi ao Flávio Ramos que anunciasse a moça.O Flávio era o dono da casa e adorava essas fofocas.Rosinha foi anunciada,subiu no tablado,sentou no banquinho e começou a mandar brasa.Primeiro uma brasinha modesta que depois foi aumentando,pegou fogo e incendiou o ambiente.
                                    O público sofisticado da boate começou a calar a boca,diante daquela mocinha franzina que tocava violão como um homem.Muito antes de Rosinha impor o respeito dos circunstantes,eu já sabia que estava diante de uma instrumentista admirável.E mesmo que eu não tivesse percebido isso,Baden Powell me dera a pala.No segundo número de Rosinha ele já estava de boca aberta e sorriso encantado.Apertou o meu braço e disse com a maior sinceridade:
-         Mas essa aí sou eu!
Mas,naquela noite,a mocinha que tinha vindo de Valença,ainda não era importante.Dera apenas o primeiro passo.
No momento em que seu disco se esgota nas lojas com impressionante rapidez,eu me recordo da hora em que lhe perguntei como aprendera a tocar tão bem.Ela respondeu que aprendera ouvindo vilonistas famosos,pelo rádio,lá em Valença.
Depois,minutos depois,ela era contratada por Flávio Ramos para se apresentar profissionalmente no “Au Bon Gourmet” e então me perguntou qual o nome artístico que devia adotar:
-         Rosinha de Valença – respondi.E antes que ela perguntasse por que,fui logo explicando que era porque ela tocava por uma cidade inteira.   

SHOW NO TEATRO SCALA - 1967

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